O que eu faria se estivesse me formando hoje em Arquitetura
(reflexão de quase 15 anos de formado)
10/15/20253 min read
Se eu estivesse me formando hoje em Arquitetura, faria muita coisa diferente.
Quando me graduei em Arquitetura e Urbanismo, lá no final de 2010, o mercado era outro.
O BIM ainda engatinhava no Brasil, as apresentações eram impressas,
e a forma de se posicionar como arquiteto era completamente diferente — sem redes sociais, sem presença digital.
Hoje, depois de 15 anos da formatura, consigo enxergar com clareza
o que eu faria se estivesse saindo da faculdade agora.
Separei 5 aprendizados que fariam toda a diferença: 👇
1️⃣ Entender o contexto do mercado
A faculdade ensina a desenvolver projetos, mas raramente ensina a entender o negócio.
Se eu estivesse me formando hoje, estudaria comportamento do consumidor — em diferentes segmentos: residencial, comercial e varejo — e o contexto de marcas que admiro.
Compreender o cenário dos negócios ajuda a conceber ideias e desenvolver projetos mais estratégicos e assertivos para os clientes.
💡 Um bom projeto começa na estratégia, não na planta.
2️⃣ Dominar o BIM e as ferramentas de visualização 3D
O BIM deixou de ser diferencial e se tornou linguagem essencial.
Dominar softwares como Revit ou Archicad, aliado a ferramentas de visualização 3D como Lumion ou Twinmotion, é fundamental para comunicar o projeto de forma clara e envolvente.
Se compararmos a formatura a uma largada de corrida, quem domina essas ferramentas desde o início sai na frente — e corre com mais tranquilidade até a linha de chegada.
3️⃣ Aprender sobre negócios e posicionamento
Arquitetura é técnica e criatividade, mas também é gestão e clareza de valor.
Aprender sobre precificação, contratos e comunicação profissional é o que diferencia quem apenas “faz projetos” de quem constrói uma carreira sólida.
Entenda: além de arquiteto, você precisa ser também um bom vendedor.
Demorei anos para compreender isso.
E ser um bom vendedor não vale só para quem tem escritório próprio.
Mesmo como arquiteto contratado — em um escritório ou em uma empresa corporativa — saber “vender” suas ideias e apresentar bem o seu trabalho é o que te faz ser reconhecido e valorizado.
4️⃣ Buscar experiências reais desde cedo
Trabalhar em campo, acompanhar obras, lidar com clientes.
Essas vivências ensinam mais sobre responsabilidade técnica e tomada de decisão
do que qualquer disciplina teórica.
Na minha época, muitos estagiários eram colocados para atender telefone, fazer café, cortar e dobrar plotagens, ou limpar arquivos de AutoCAD.
Se puder, fuja desse tipo de estágio.
Procure experiências que realmente te ensinem a projetar, lidar com clientes e entender o uso dos espaços e materiais.
Aproveite esse momento para descobrir em que área você mais se identifica: projeto, obras, paisagismo, interiores, varejo, entre outras.
Desenvolva suas melhores habilidades — e lembre-se: a arquitetura abre portas para muitas outras áreas.
5️⃣ Investir na imagem profissional (e pessoal)
Hoje, a presença digital é a vitrine do arquiteto.
Quando comecei, isso praticamente não existia.
A divulgação era feita por portfólios impressos, indicações e entrevistas presenciais.
As redes sociais estavam apenas começando — Orkut, Facebook e MSN eram as plataformas da vez.
Hoje, se você não está no meio digital, é como se não existisse.
E eu falo isso com propriedade — ainda trabalho minha própria resistência com “aparecer”, mas entendi que é parte essencial da profissão.
Estar presente no digital permite que as pessoas te vejam, te conheçam e confiem no teu trabalho.
Mostre seu processo, seu raciocínio, seus bastidores.
É isso que gera credibilidade e conexão verdadeira.
Mas não é só sobre o digital.
A imagem pessoal também é parte da imagem profissional.
Ter cuidado com a aparência, roupas, cabelo, barba (ou maquiagem) faz diferença.
Não se trata de vaidade, mas de comunicação visual — a forma como você se apresenta transmite confiança, credibilidade e respeito.
Ter essa percepção de “cuidado” desde o início da carreira
mostra profissionalismo e pode ser um diferencial no mercado.
Se eu estivesse me formando hoje, estudaria menos “formas” e mais “funções”.
Menos “como projetar bonito” e mais “como projetar com propósito.”
E você?
👉 O que faria diferente se estivesse se formando hoje?
Ou, se ainda está na faculdade — o que mais tem te desafiado nesse início de carreira?


